Terça-feira, 21 de Junho de 2005

Uma lição de vida--BOCCIA

Preparar, apontar, fogo! É mais ou menos assim que se desenrola um jogo de boccia. Constituído por 13 bolas (seis vermelhas, seis azuis e uma bola alvo branca), pode ser jogado individualmente, em pares ou equipas de três elementos. O objectivo consiste em aproximar o maior número de bolas azuis ou vermelhas da bola alvo, dentro de um campo de dez por seis metros.

"No boccia, não temos rivalidade". Quem o diz é Fernando Pereira, 50 anos, atleta do Boavista. Ao seu lado, Bruno Valentim, de 38 e jogador do FC Porto, concorda, com um aceno de cabeça e um sorriso nos lábios. "Somos bastante amigos. Estamos aqui para defender o boccia e para competir. Simplesmente, para retirar prazer desta situação em que nos encontramos", refere Fernando Pereira. O atleta boavisteiro fez dupla com Bruno Amorim na competição de pares, categoria BC4 (para atletas apenas com dificiências motoras), no Campeonato Europeu de Boccia, que se disputou na semana passada, na Póvoa de Varzim, tendo arrecadado a medalha de prata, apenas cedendo um jogo contra a Hungria. Curiosamente, os dois defrontaram-se também na final individual, tendo Valentim vencido o duelo por 5-4, acrescentando mais duas medalhas - ouro e prata - ao espólio nacional (quatro de ouro e três de prata).

Bruno Valentim é actualmente o número um do ranking mundial da sua categoria, enquanto Fernando ocupa, para já, a terceira posição, devendo ascender em breve ao segundo lugar. Os seus grandes objectivos passam por uma presença nos Jogos Paralímpicos de 2008, em Pequim. Mas para que o sonho se torne realidade, é necessário manterem-se entre os oito primeiros do rankimg mundial. Para já, as coisas estão bem encaminhadas, uma vez que encabeçam a lista dos melhores do mundo. "Mas até ao final do ano ainda há mais dois campeonatos pelo meio", atira, em jeito de aviso.


Divórcio com autoridades

Mas nem tudo vai bem no reino do projecto olímpico. Fernando Pereira é o arauto da revolta: "Andamos a reclamar há uma série de tempo a igualdade quer dos prémios quer das bolsas paralímpicas. Houve promessas, mas não passa disso", garante. Basicamente, o que se pretende é "igualdade relativamente aos ditos atletas normais, porque é um disparate autêntico a discrepância existente, quer de prémios de medalhas quer de bolsas. Nas bolsas, a diferença é de cerca de 180 contos [n.d.r.: cerca de 900 euros]. E é quando nos dão. Ficaram de arrancar já este ano com as novas bolsas e até agora ainda não sabemos de nada. Nem há nada definido - o que lamentamos -, porque os atletas de boccia têm trazido muitas medalhas para Portugal. O que se lamenta é este divórcio que há entre o poder político e os atletas", sustenta. Por outro lado, "nos prémios das medalhas há também uma diferença abismal, de milhares de contos. Fora isso, não temos mais apoio nenhum. É dado pela nossa família, que colabora connosco".

E, embalados pelo que lhes ia na alma, aproveitaram para deixar uma farpa à comunicação social: "É lamentável trazerem notícias pequenas de atletas que acabaram de ganhar medalhas para o seu país num campeonato da Europa", dizem. "Será que têm vergonha de dizer que os atletas deficientes ganham mais medalhas do que os ditos normais", pergunta Fernando Pereira?

Fonte: Jornal "O JOGO"
publicado por vitorinonuno1 às 15:55
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