Segunda-feira, 5 de Março de 2007

ENTREVISTA A SIMONE FRAGOSO, ATLETA DO CLUBE NAVAL SETUBALENSE

 

 

"Participar nos Paralímpicos de Pequim seria fantástico!"

"Os resultados falam por si, e os deficientes conseguem fazer pelo desporto nacional aquilo que nenhuma outra modalidade faz…"

A palmelense compete há pouco mais de um ano, e nesse período alcançou já uma evolução assinalável, sagrando-se tri-campeã nacional e medalha de prata nos campeonatos do mundo de estafetas 4x50 metros, realizado na África do Sul. É um exemplo ao qual se pode aplicar a velha máxima “quem corre por gosto não cansa”, pois só com muita vontade e “ajudas de particulares”, como reconhece, é que se pode ter uma palavra a dizer no mundo do desporto para deficientes. A escassez de apoios e a falta de reconhecimento são alguns dos principais entraves encontrados, mesmo numa modalidade que oferece inúmeros títulos ao nosso país…

 

| RICARDO CARVALHO

 

Margem Sul: Na natação adaptada competem atletas com todo o tipo de deficiência. Como se agrupam?

Simone Fragoso: Existe uma divisão por classes, que vai desde a S1 à S10 para deficientes motores, e desde a S11 à S13 para invisuais.

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MS: Consegue ser mais específica?

SF: A primeira categoria – S1 – diz respeito a deficientes com paralisia cerebral, que competem somente entre si, tal como os atletas invisuais. As restantes são estruturadas mediante alguns critérios. O tamanho dos braços e das pernas determinam a classe onde os restantes atletas podem competir. Neste momento faço parte da classe S7, onde compito com pessoas que só movimentam os membros superiores do corpo.

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MS: Conte-nos como iniciou a prática da modalidade…

SF: O facto de praticar desporto desde sempre aliado ao facto de ter tomado conhecimento de alguns atletas  acionais, através da televisão, levou-me a pensar que também poderia fazer parte deste tipo de competições. Bastou contactar algumas pessoas, amigos e conhecidos, para efectivamente tornar tudo possível. O Clube Naval  Setubalense abriu-me as portas e já me encontro a competir desde Janeiro do ano passado.

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MS: Em Portugal existem clubes como o CNS, que apoiam a natação adaptada?

SF: Não tantos quantos deveriam existir. Sou a única atleta do Naval e no Porto existem pouco mais de uma dúzia. De resto, nem Sporting nem Benfica apoiam este tipo de desporto. São muito poucos.

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MS: O desporto é uma forma de lutar contra o esquecimento a que muitos deficientes são votados?

SF: Sim. Mas ainda é encarado como uma actividade de lazer, o que também não é mau pois permite-nos conhecer bastantes pessoas, e como tal não obtemos a relevância desejada.

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MS: Está a falar-nos de apoios?

SF: Efectivamente devíamos ter mais. Não se compreende a forma como o Estado esquece este tipo de modalidades que dão medalhas ao país e  reconhecimento internacional; da mesma forma que também não se compreende o facto de termos pago a dois jornalistas da Agência LUSA para fazerem a cobertura dos campeonatos do mundo em  Durban, na África do Sul, e depois não terem publicado uma notícia que fosse com a nossa chegada ao país. E não só; estadia, refeições, transportes, tudo saiu do nosso bolso.

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MS: E que papel desempenha a Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes?

SF: É ela quem nos arranja os patrocínios, todos particulares. Só assim conseguimos competir. O Estado não se compromete com nada. Já estamos à espera desde Julho do ano passado para recebermos o dinheiro proveniente dos campeonatos nacionais, que permitiram a participação nos mundiais, e até agora não chegou o que quer que fosse.

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MS: Mesmo com tantas contrariedades Portugal continua a ser uma potência mundial…

SF: Os resultados falam por si. Os deficientes conseguem fazer pelo desporto nacional aquilo que nenhuma outra modalidade faz, que é ganhar títulos. Nem futebol, nem voleibol, nem andebol conseguem o mesmo com tal frequência.

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MS: Até onde pensa ir? Pequim?

SF: Tive uma lesão que me obrigou a parar durante cerca de três semanas, o que me limitou em termos de  competição. Agora resta-me voltar em grande aos campeonatos nacionais para conseguir atingir as marcas necessárias para lá chegar. Seria algo absolutamente fantástico!

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in: http://www.margemsul.pt/margemsul_02Fev2007.pdf 

publicado por vitorinonuno1 às 13:52
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